Entrevista com o MI Leandro Daniel Perdomo.
Pretendemos, de tempos em tempos, colocar uma entrevista com personalidades da arte que tanto amamos. Para inaugurar, o Mestre Internacional Leandro Daniel Perdomo, da Argentina. Boa-praça, gentil, ótimo jogador, são alguns dos predicados que podem ser aplicados a esse cara fantástico. A entrevista, feita no clássico sistema pingue-pongue (pergunta e resposta), mostrou algumas sutilezas do pensamento de um mestre de xadrez.
Xadrez Clube Sorocaba – Olá, Perdomo. Obrigado por conceder esta entrevista. Vamos falar um pouco da sua história? Onde nasceu, quando aprendeu a jogar? Desde o seu início até hoje, como Mestre.
Leandro Daniel Perdomo – Olá. Nasci na cidade de Bueno Aires, Argentina, no dia 23 de outubro de 1985. Aprendi a jogar aos oito anos no Clube de Xadrez “Jaque Mate”. Pouco tempo depois, comecei a jogar torneios escolares, e mais tarde os campeonatos argentinos infantis. No clube, assistia a aulas grupais para crinaças, que eram ministradas pelo Mestre FIDE Daniel Robledo, em seguido pelos Mestres Internacionais Claudio Minzer e Alfredo Giaccio. Aos 13-14 anos comecei a jogar mais torneios e estudar sozinho, onde progredi muito. Em 2001, ganhei o Pan-americano sub 16, que me motivou ainda mais. Ganhei alguns campeonatos argentinos de categoria e outro Pan-americano Juvenil em 2005, que me possibilitaram jogar campeonatos mundias de categoria, quando melhorei meu nível e obtive as normas de MI.
XCS – Por que você veio ao Brasil? Qual a diferença entre os dois países, no xadrez?
LDP – Antes de vir morar no Brasil em 2008, eu tinha vindo algumas vezes para jogar alguns torneios, e sempre ficava com vontade de conhecer ainda mais este lindo país. Então decidi aprender o português e continuar meus estudos universitários aqui. Acho que a diferença entre a Argentina e o Brasil no xadrez é que hoje em dia, aqui em terras tupiniquins, te mais e melhores torneios.
XCS – E seus planos para o futuro?
LDP – Atualmente estou no segundo ano de marketing e penso em fazer mais um curso universitário aqui no Brasil. Tornar-me GM é meu objetivo no xadrez.
XCS – Como você avalia a situação do xadrez na América Latina, mais especificamente no Brasil?
LDP – Acho que o xadrez avançou muito na maioria dos países da América Latina. Creio que o Brasil esta alcançando a Argentina, que sempre foi a principal potência enxadrística da América do Sul, prova disso é o surgimento, nos últimos anos, de jovens mestres brasileiros.
XCS – Do Brasil para o Mundo. Quem você acha que é o grande jogador da atualidade?
LDP – Acho que é o jovem norueguês Magnus Carlsen. Penso que não falta muito para que ele seja campeão mundial e número um do ranking mundial.
XCS – E o melhor de todos os tempos?
LDP – Considero difícil estabelecer quem foi o melhor de todos os tempos, mas pessoalmente, acho que o norteamericano Paul Morphy esteve muito acima dos seus adversários na época, além de revolucionar completamente a estratégia do jogo.
XCS – Aproveitando a deixa, faça uma lista dos dez maiores de todos os tempos.
LDP – Paul Morphy, Robert Fischer, José Raúl Capablanca, Alexander Alekhine, Garry Kasparov, Tigran Petrossian, Mikhail Botvinnik, Emmanuel Lasker, Anatoly Karpov e Akiba Rubinstein.
XCS – Você acha justo o atual sistema de cálculo de rating da FIDE?
LDP – Sim, acho justo.
XCS – Quais livros você indica?
LDP – Além dos clássicos livros de Aaron Nimzowitsch (“Meu Sitema” e “A Prática de Meu Sistema”) e Alexander Kotov (“Piense Como Un Gran Maestro”, “Juegue Como Un Gran Maestro” e “Entrene Como Un Gran Maestro”), recomendo “O Contra-ataque no Xadrez”, de Damski; e “O Sentido Comum no Xadrez”, de Emmanuel Lasker.
XCS – Qual o seu método de treinamento? Faz alguma preparação psicológica?
LDP – Geralmente leio livros, faços exercícios de tática e vejo partidas no computador. Não faço preparações psicológicas, apenas tento jogar concentrado e me divertindo.
XCS – E como você lida com resultados adversos?
LDP – Normalmente, fico chateado quando disperdiço uma posição ganha, fora isso não. Daí me lembro das palavras do GM argentino-polonês Miguel Najdorf: “O mais difícil é ganhar uma partida ganha”.
XCS – E o lado físico? Existe também algum plano de preparação?
LDP – Faço Tai-Chi-Chuan.
XCS – Como você avalia o seu estilo de jogo?
LDP – Acho que meu estilo varia muito, dependendo da situação no torneio, da minha vontade pessoal, do meu adversário, etc.
XCS – Quem será o vencedor do match Anand-Topalov?
LDP – Acho que topalov ganhará.
XCS – Qual das suas partidas é a sua preferida? E a de GMs?
LDP – Minha preferida é a que venci do GM holandes Jan Smeets, em 2004, pelo Mundial Juvenil. A de GM que mais me impressiona é Petrossian-Unzicker, match URSS-RFA, em 1960.
XCS – E sorocaba? Como você avalia o xadrez da cidade?
LDP – O xadrez sorocabano esta em alta, com alguns jovens jogadores que estão jogando cada vez melhor em torneios. Mas, pessoalmento, acho que é necessário fazer torneios pensados válidos por rating FIDE. Isso traria jogadores fortes de outras cidades, e assim, o pessoal local ganharia mais experiência se medindo numa competição mais séria.
XCS – A pergunta mais importante. quem foi melhor: Pelé ou Maradona?
LDP – (risos, muitos risos) A pergunta que todo brasileiro faz para um argentino! Bom, cada um deles foi o melhor em sua época. Mas claro que Maradona foi melhor.
XCS – Achei que você ia dizer que o melhor foi o Biro-Biro. Obrigado, Perdomo. E sucesso!.
LDP – Agradeço muito pela entrevista e aproveito para desejar um pronto sucesso ao xadrez sorocabano.

Gente boa! E, pelo que ouvimos dizer, bom de bola, também!




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29 May 2009 at 4:54 pm
Muito legal a entrevista!
E o cara, é do Boca ou do River?
29 May 2009 at 7:35 pm
gentye boa o perdomo..ele é meio parecido com o cardi…mas fora isso, é gente boa.
29 May 2009 at 7:52 pm
bom eu gostei da entrevista com o perdomo, mas está na hora da minha entrevista tambem não é, aguardo contato p/ agendamento.. obrigado
5 June 2009 at 9:18 pm
Ele é do River Plate
24 June 2009 at 7:33 pm
boa entrevista mais o pele e bem melhor que maradona rsrsrsrs legal.